viernes, 5 de noviembre de 2010
El reyezuelo neoirlandés / Francisco Poveda
martes, 27 de abril de 2010
Juan Carlos I, um líder antes que um rei / Francisco Poveda *
A Espanha, um país de vales e montanhas, é um local de muito difícil gestão. Depois de um mais que turbulento século XIX e um século XX que apontava para superá-lo para o pior, o já longo reinado de Juan Carlos I está sendo uma das épocas de maior esplendor e progresso do país, só equiparável ao governo de seu parente direto Carlos III no século XVIII. E democrático ao estilo saxão ou escandinavo.
Em um momento em que, pela idade do rei e o tempo ocupando o trono, começa-se a fazer balanços, e alguns na Espanha, desde a direita mais conservadora e a esquerda mais extrema, aproveitam para questionar a legitimidade da instituição, convém refletir sobre a necessidade, ou não, de prescindir de uma liderança tão popular e garantidora para os espanhóis. Nenhum monarca na história contemporânea da Espanha esteve tão perto do povo.
Juan Carlos I demonstrou ser peça fundamental numa engrenagem constitucional complexa, ainda que consensual, reformável e dificilmente substituível agora por outra menos equilibrada e solidária. Agora por agora, o rei é a garantia de liberdades públicas reais e não só formais, da sobrevivência da Espanha como tal e em sua diversidade, da moderação na vida pública, da defesa nacional na qualidade de vértice das Forças Armadas e da política externa. Que líder em nossa história reuniu sequer a metade destas qualidades todas?
O monarca segue sendo, apesar da sua idade e tempo no trono, o garantidor também da própria instituição monárquica. Enquanto viva e mantenha seu juízo são, não parece possível convulsão alguma no sistema, apesar de ser o espanhol, todavia, um povo imprevisível. Nenhuma plutocracia à espreita parece ter o que fazer quanto a isso. Tampouco há a vista alguma figura política com suficiente estatura de estadista e capacidade de agregação bastante para propor a sério, e ao destino, uma mudança da monarquia à república na Espanha.
Inclusive, se após Juan Carlos I se proclamasse a III República, seria uma estupidez e uma torpeza política tentar apagar os sinais visíveis de seu longo reinado, numa vã tentativa de retificar a história "a posteriori". Isso porque não são poucos, nem pouco ambiciosos, alguns políticos de certo perfil, de direita e de esquerda, que estão esperando seu momento de ser presidente de uma nova república após a morte do rei. Seus nomes estão nas mentes de todos e um deles é, até hoje, sem vergonha, conselheiro de Estado em exercício.
Não nos enganemos: alguns deles já movem desde já as forças da mídia desde fora da Espanha para que se produzam ataques, ainda que sutis, a Juan Carlos na imprensa internacional, e isso não parece furto da casualidade nem da conjuntura. Esses ataques respondem a interesses alheios à opinião pública da Espanha e aos espanhóis. Seu objetivo imediato é a erosão da figura do rei justamente num ponto de inflexão causado por sua idade, seu estado de saúde e o estresse inerente da sua alta responsabilidade.
Também estão surgindo livros e textos que desprestigiam o herdeiro de Juan Carlos. E temos ouvido e visto programas de rádio e televisão dentro da Espanha cujo objetivo não parece ser o de favorecer a liderança do rei, chegando-se inclusive a pedir sua abdicação, como se estivéssemos diante de um outro Fernando VII. Demasiadas coincidências no tempo e demasiados impacientes esperando seu momento para, eventualmente, ocuparem a Chefia do Estado.
Mas o futuro ainda não está escrito e Juan Carlos ainda traz consigo poderosa força de inércia para que alguém tente parar a seco a monarquia. Uma grande porcentagem dos espanhóis não conheceu outro líder. Já outra grande parte sabe, agradecida, que ele está cumprindo seu papel histórico com tato, discrição, grande diligência e muita dignidade. E segue sendo, no momento, ínfima a minoria que está propondo alternativas em vida ao próprio rei, o que deixa ainda mais difícil a situação de um príncipe das Astúrias pouco entusiasmado com o cargo, mas também tomado pelo dever dinástico ao alcançar 40 anos, casar e ser pai duas vezes.
O próprio rei sabe das dificuldades que seu herdeiro terá para conservar o trono. Mas pior era sua situação ao ganhá-lo por consenso em novembro de 1975. No fim, a questão será a mesma: demonstração de utilidade e capacidade de liderança. E independência de grupos de interesse no que será então uma democracia telemática, para qual o rei carece de planos. O tempo do futuro Felipe VI não terá nada a ver com o de Juan Carlos I, embora a Espanha continue essencialmente a mesma.
Por mesma me refiro à dificuldade de gestão do país. Quando seus dirigentes não foram muito capazes de entender-la, fracassaram de pronto. Hoje ninguém discute que a república é uma forma de governo mais abrangente e moderna (se mais democrática, ainda estamos por ver), mas a monarquia constitucional não deixa a dever na capacidade de gerar bem-estar para o cidadão, do Pacífico ao Báltico. O que ainda está por demonstrar é se a república resultará mais idônea para um país de tanta complexidade e atormentada história como a Espanha.
Ficou demonstrado historicamente que só com fortes lideranças é possível o progresso da Espanha com unidade na diversidade. Nossa característica individualista não deixa muito lugar para decisões colegiadas, condicionadas, compartilhadas ou vazias de conteúdo. A moderação é, em nosso caso, uma condição e uma necessidade. E parece que a pode sustentar melhor uma autoridade neutra de longa projeção no tempo que outra submetida a revalidação periódica ou a interesses partidaristas do momento.
Nossa transição política tem sido um modelo, mas só da perspectiva da nossa história recente desde meados do século XIX. Apesar do pacto pela não ruptura, tivemos episódios trágicos. Agora estão mais claros os erros e acertos da fórmula, mas a monarquia não pode ser em nenhum caso o bode expiatório de um "neo-franquismo" que resiste a sucumbir nas mãos da História ou de uma Igreja dominada por uma corrente integralista alheia ao Catolicismo espanhol.
A Juan Carlos I temos que julgar o que fez como rei desde 1976 e não o que fizeram o que dele se utilizaram após a vitória da democracia sobre o totalitarismo em 1945. Se a reforma política de 1978 encerra necessárias rupturas, a sua foi a primeira como condição "sine qua non" para legitimá-lo no começo de seu reinado e para mostrar estar à altura do cargo após a tentativa de golpe militar de fevereiro de 1981. Por suas mãos, a Espanha entrou na União Européia em 1986 depois de décadas de tentativas vãs e recuperou os parâmetros democráticos perdidos em 1936 com a eclosão da Guerra Civil.
O agora tão admirado por todos Adolfo Suárez foi por Juan Carlos escolhido, que lhe deu cobertura e deixou agir segundo a conveniência de ambos. Mesmo a incomum duração da permanência de Felipe González no Palácio de La Moncloa foi alheia à intenção do monarca de consolidar uma democracia para todos. Só por isso o rei da Espanha merece, no seu aniversário de 70 anos, a gratidão dos cidadãos por evitar a repetição de episódios que, novamente, nos fizessem sentir envergonhados como espanhóis perante o mundo.
Monarquia ou república é um debate em que se deve pesar a haveres e deveres de cada sistema de governo segundo nossa própria experiência e a do nosso entorno para vermos se vale à pena provar a mudança apenas pela própria mudança. É uma questão de calcular o risco e pesar o preço desta decisão se se quer apresentar essa possibilidade algum dia.
Em uma democracia consolidada, como a que nos deixa Juan Carlos I, é até cabível propor prescindir justamente de quem a fez possível com sua liderança. A soberania reside desde 1978 nos espanhóis porque o monarca recusou ser cúmplice e vértice de uma ditadura institucional com aparência de democracia no primeiro momento e depois renunciou poderes civis executivos com a posterior Constituição. Essa é sua grandeza e seu enorme mérito.
Francisco Poveda é jornalista e professor universitário
http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2008/01/04/327876925.asp
Tudo indica que Zapatero será o vencedor nas eleições na Espanha / Francisco Poveda *
Há apenas 15 meses, o atual presidente do governo espanhol foi ungido pelas urnas por seus feitos, otimismo contagioso, ideais, princípios e método de contrastar sempre opiniões diversas. Mas hoje as pesquisas mostram um empate técnico, com uma ligeira vantagem a favor de quem o prestigiado jornal britânico "The Times" considerava então o líder social-democrata e político mais valorizado da União Européia por causa da confiança e convicção que transmite.
Os primeiros efeitos nefastos sentidos pela crise do esgotado, por ser muito desequilibrado, modelo econômico herdado de Aznar e o ruidoso fracasso das negociações de seu governo com o bando terrorista basco ETA, assim como se sucedeu com outros governos democráticos anteriores, consumiram em muito pouco tempo grande parte do capital político acumulado por Zapatero com a aprovação de 150 leis sociais para a modernização da Espanha desde sua inesperada chegada ao Palácio de La Moncloa, em abril de 2004, após o erro de Aznar de entrar na guerra no Iraque.
A guinada rumo a uma extrema direita sectária do hoje grande partido de oposição, o Partido Popular, longe de facilitar as coisas para Zapatero, produziu na última Legislatura, ao não assimilar ou assumir sua derrota eleitoral de 2004, uma forçada e crescente polarização na sociedade espanhola. Por meio do recurso nada ético de assustar, exagerar e anunciar o cataclismo, ela faz lembra um dos piores tempos da história contemporânea da Espanha pelas conspirações e usurpadas bandeiras nacionais que agitam nos últimos 36 anos após o fim da ditadura militar. Até a Igreja Católica se juntou como aliada, com grande veemência e ativismo político, à resistência às mudanças sociais implantadas por Zapatero pelo seu temor de que elas tragam uma inevitável "secularização" da vida civil espanhola, com a conseqüente perda de sua influência sobre os fiéis em pleno (e teórico) choque de civilizações de crenças monoteístas.
A previsível ascensão política de Berlusconi na Itália e, agora, as maiores chances de Rajoy na Espanha soaram os alarmes em Bruxelas. O coração da União Européia, onde a duradoura aliança tácita de moderados, liberais e sociais-cristãos procura estabilidade, segurança e riqueza, volta-se agora para Madri e Roma com certa inquietude diante do avanço de forças "eurocéticas" ao longo da costa mediterrânea, que se valem de uma retórica catastrofista diante de previsíveis tensões sociais trazidas pelo aumento do desemprego depois de uma década de grande bonança econômica.
A possibilidades eleitorais de um iracundo e distante Rajoy frente a um Zapatero tranqüilo, próximo e satisfeito se vêm prejudicadas pela própria dinâmica de sua estratégia: certa demagogia temperada com meias verdades dentro de um jogo de deslealdade institucional calculada para desgastar seu adversário ainda que a custa de tensionar complexos processos territoriais, dar opções desnecessárias ao terrorismo e molestar os imigrantes, vistos como responsáveis pela criminalidade em ascensão, fazem-no perder toda a credibilidade, aborrecer e descrever uma Espanha em preto e branco muito longe do colorido otimista que almejam até os espanhóis mais imprevisíveis.
Mas a Espanha não se deixa voltar para o passado. Mais de 1 milhão de novos jovens eleitores permitem prever que finalmente Zapatero ("só se pode ganhar se se está da vitória") poderá impor-se por suas atrativas propostas para o futuro do país. Uma pesquisa feita após o primeiro debate na TV com o atual líder oposicionista Rajoy, escolhido a dedo por Aznar como seu herdeiro político, apontou uma maior preferência pela esquerda entre os eleitores de 18 a 55 anos e nas regiões com menor sentimento "espanholista", com exceção da Andaluzia, apesar delas serem onde a grande corrupção estrutural impregnou com desonra a classe política governante.
Com uma crise internacional de previsível grande repercussão por sua profundidade e duração, os poderes de fato que representam na Espanha o capital financeiro e a Coroa veriam com muito mais tranqüilidade uma vitória social-democrata por seus planos por mais direitos civis e de manter dentro dos limites do sistema as ânsias das minorias nacionalistas democráticas da Catalunha, Galícia e País Basco. Mas é a complicada situação social que se aproxima que vai requerer uma atitude política determinada para fazer frente e gestionar processos econômicos que sirvam de paliativos para as conseqüências desta crise sobre a grande maioria da população espanhola, alçada a um artificial nível de vida por créditos de longo prazo e que agora dificilmente poderá manter em razão da perda de empregos. Neste caso, o programa do PSOE encerra um projeto "ad hoc" frente à postura do PP, que não tem planos claros e convincentes para o crescente contingente de pessoas atingidas pela perda de postos de trabalho e patrimônio, que já são efeitos retardados a ausência de um mínimo sentido social nas políticas desenvolvidas por Aznar nos campos de urbanismo e habitação durante seus oito anos de governo (1996 a 2004).
A catarse parece inevitável, apesar da subsistência das lendárias "duas Espanhas". Enquanto os aposentados, especuladores, integristas católicos, altos funcionários, pessoas mais temerosas, inseguras, menos competitivas, os emigrantes na América e os privilegiados desde o Franquismo se identificam mais com a retórica do PP, a esperança que Zapatero vende atrai os jovens em busca do futuro, os empregados qualificados, pequenos empresários, profissionais liberais e quase todos os emigrantes espanhóis na Europa, docentes e estudantes.
Com uma fatia de 20% ainda de eleitores de indecisos, se antes do 9 de março não ocorrer nenhum "choque de trens" que possa subverter a atual tendência, tudo parece indicar que o PSOE revalidará sua atual maioria, inserido na mais pura tradição social-democrata européia. Como no caso de Obama nos EUA, os inovadores, os cientistas e os artistas declararam seu apoio a Zapatero, que deverá permanecer no poder.
(*) Francisco Poveda é jornalista e professor universitário
A união ibérica / Francisco Poveda *
A progressiva integração econômica entre Espanha e Portugal desde 1986, como conseqüência do ingresso de ambos países na Comunidade Econômica Européia (CEE) ao mesmo tempo, e a atual recorrente crise econômica no país vizinho, produto de desajustes estruturais de difícil abordagem, já que alguns vêm dos tempos da ditadura de Salazar, fizeram ressuscitar o iberismo do século XIX pelas mãos de seda tão universais e tão pouco suspeitosas de José Saramago, com a conseqüente reação dos "pais da pátria" portuguesa tão significativos como o ex-presidente Mário Soares, que observa, mas não o deseja por perto por causa de seu nacionalismo subjacente, o passo seguinte no processo.
Mas a intuição de Saramago responde a algo mais que a volta dos lusitanos à situação imediatamente anterior a 1640. A osmose social e econômica na fronteira norte com a Galícia, nos caminhos zamorano, salmantino, pecense ou andaluz, já é total. Faz anos que não existe fronteira porque, "de fato", somos um em dois. O melhor horizonte para as novas gerações portuguesas hoje é muito mais Barcelona ou Madri que Bruxelas ou Paris. A realidade está se impondo à história quando os jovens preferem ouvir falar do futuro que do passado. A Espanha está cheia também de nossos irmãos portugueses. Este é o ponto da questão e não cabe olhar para o outro lado agora que não a certa forma de união política.
Assim como na Espanha (o processo histórico não tem volta e a situação do País Basco e da Catalunha em seu seio provavelmente também vai conhecer outro tipo distinto de dialética de relação com o resto do país porque já não somos a nação imperial que os reis católicos fundaram no século XV), em Portugal (tão nacionalista embora a maioria dos seus habitantes não tenha vivido na época colonial) impõe-se outra realidade das cifras e fórmulas de saída possíveis. Talvez não ideais, mas provavelmente de interesse de todos no atual sentido da História.
A integração econômica, financeira e energética lusa com seu vizinho hispânico já é total e agora, muito mais desde Lisboa do que de Madri, cabe planejar a médio prazo uma união política "sui generis" no marco quase federal que temos ao leste da península, sem que Portugal perca sua identidade, forma constitucional nem status internacional. O rei Juan Carlos, por exemplo, circula entre a classe dirigente da República vizinha tanto ou mais que entre a espanhola, tão pouco monárquica atualmente quanto "juancarlista" desde 1981, apesar das lógicas e desejáveis críticas exceções à regra.
Há até os que chegam a pensar que o processo que se aponta a oeste condicionaria para o bem a futura e incerta relação interior de catalães e bascos com o resto dos espanhóis ao demandarem os portugueses um sistema de associação política que reforçasse a posição geral da Península Ibérica no marco da União Européia, ao mesmo tempo em que esta colocaria no melhor caminho de solução, satisfatória para a Espanha, o contencioso de Gibraltar, consolidando Ceuta e Melilla, e, possivelmente, modificando a favor da península a atual relação jurídica com uma Andorra muito mais catalã que francesa.
Como se vê, tudo está em movimento e olhar para trás, em direção da estéril rivalidade entre castelhanos e portugueses, só pode conduzir a uma paralisação bíblica, quando o certo é que já estamos compartilhando um destino conjunto na Otan, na UE e nas não menos importantes regulares "cúpulas" ibero-americanas há um quarto de século. Ademais, não é nenhum segredo que os espanhóis amam Portugal, começando por mim mesmo, que conheci Lisboa antes de Madri e regresso todos os anos para desfrutar das amizades, natureza e cultura.
Quando Portugal, de tão apenas 10 milhões de habitantes, nota a necessidade inescapável de ser algo mais para deixar de estar a reboque dos "27" e parte de seus intelectuais volta a ver no vizinho a melhor opção possível de associação estratégica para uma maior velocidade dentro dos parâmetros comunitários europeus, uma primeira sugestão de Saramago à idéia de união ibérica fala de um Parlamento conjunto (porque não em Coimbra ou Salamanca?), com representação dos partidos políticos portugueses e espanhóis. E de que adianta manter a identidade e atual organização política da Espanha e de Portugal quando o século XXI colocará os países diante de transformações substanciais dos processos nacionalistas do século XIX e nações irmãs, como México e Brasil, vão ver aumentar sua influência no cenário internacional?
Não é de se estranhar, pois, que os dois Estados modernos mais velhos do mundo (os lusos antes dos hispânicos) tomem a iniciativa e alcancem conjuntamente uma maior dimensão para poder manter a semente que lhes deu sentido existencial há mais de 500 anos, enfrentar mais unidos os desafios constantes da globalização e oferecer as respostas ibéricas que as conseqüências sociológicas e econômicas do avanço vertiginoso das tecnologias da comunicação exigem. Esta é a chave.
(*) Francisco Poveda é jornalista e professor universitário espanhol.
http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2007/08/06/297128272.asp
miércoles, 6 de enero de 2010
Así nos va y la que nos espera / Francisco Poveda
Dentro de un lustro, la Región habrá retrocedido, de hecho, 40 años atrás mientras la emigración autóctona habrá vuelto a aparecer con toda su fuerza aunque ahora a nivel de murcianos mucho más formados y cualificados. Nuestros jóvenes más exigentes ya no tienen nada que hacer aquí. Vistas todas las estadísticas comparativas y su inexorable tendencia en la Región de Murcia, mejor plantearse hacia donde se marchan y como, antes de que sea tarde. Ya no se puede ni poner un bar.
La crisis mundial, sólo en ciernes, nos dejará a su salida con encefalograma plano como territorio y sociedad diferenciados. Sigamos por el camino de derrochar esfuerzo y nuestro escaso recurso en actividades lúdicas, onerosas, fuera de estrategia y no rentables. Ya lo lamentaremos dentro de muy poco cuando nos falte hasta para cuestiones esenciales, como la educación obligatoria o la sanidad pública. Ya hoy no podemos hacer frente a numerosos pagos a proveedores de las administraciones públicas locales y regional.
¿Hasta cuando nos vamos a seguir engañando a nosotros mismos? Olvidamos el triste ejemplo de una Cartagena, ensimismada, que hace 25 años que no levanta cabeza. O una Calasparra, de Berlanga, que te transporta al franquismo pre-desarrollista. Toda la Región acabará siendo como Mula: recreándose llena de moscas en el ciervismo decimonónico. En el mejor de los casos, como Cartagena, parada en su viejo esplendor minero y preindustrial. Hoy, ambas, puras estatuas de sal, cada una a su nivel. Si clausuran la base naval, Cartagena bajaría al nivel de Gaza.
El ritmo y suerte del desempleo por un modelo económico incapaz de evolucionar por gripado, no deja lugar a muchas dudas. Esa falsa calidad de vida, de la que tanto alardeamos como idiotas por no conocer otras cosas mejores, que existen sin duda y muy cerca, no se corresponde con otra calidad formativa, laboral o profesional. Y eso complica bastante un horizonte no migratorio para los murcianos minimamente exigentes y con ciertas aspiraciones de verdadero progreso material, cultural y espiritual.
De cualificación moral y ética, mejor no hablar esta vez. Todo lo que hoy huele a murciano apesta para los de fuera por la sensación de estar ante unos tramposos compulsivos. Esa es, al menos, la imagen percibida en la mayor parte de España (por no hablar ya del complejo burocrático de Bruselas) y parece bastante arduo despejarla. Una verdadera ruina de reputación con tanta 'Tótem.
Son ya mayoría en nuestro país quienes nos han dejado por imposibles cuando hemos sido un pueblo que, históricamente, había venido siendo de los más ejemplares de toda España desde el XVIII. Todo eso ha desaparecido, no queda nada. En un cuarto de siglo hemos mudado a un estereotipo de sociedad envilecida, pagando eso sí, justos por pecadores. Porque todos los murcianos no somos así aunque los perfiles de la masa induzcan a pensar todo lo contrario.
Nuestra estética vigente es indefendible y así lo debe haber entendido San Esteban para haber arrojado la toalla ante esa batalla perdida de antemano. El invento hace aguas por todas partes: modelo educativo, universitario, industrial, político, financiero, judicial, hídrico, empresarial, sindical, turístico, religioso... Casi nada se salva o es salvable. Urge reinventarlo absolutamente todo.
Lo vamos a pasar mal si creemos que las soluciones a los problemas que nosotros mismos hemos creado nos van a venir de fuera en base a echar la culpa de todo al manchego 'insolidario' y al Zapatero de turno; por cierto, otro que ya no nos hace ni caso con toda la razón. No somos ni representamos casi nada en el conjunto nacional. Hemos conseguido que nos obvien porque aburrimos con nuestra pedigüeña y cansina cantinela trasvasista monotemática.
Esta tierra se apaga sola por méritos propios. Nos hemos estancado en el 2,5% en todo, dentro del conjunto de España. Pero es que a nivel cualitativo, nuestras clases dirigentes, obsoletas, nos han colocado bajo cero en influencia neta tras inyectarnos un voluntarismo hilarante. Nos han dejado sin interlocutores válidos allí donde podíamos hacer valer nuestros derechos. Por no tener, no tenemos ni proyecto estratégico como territorio autónomo y por eso surgen iniciativas trasnochadas, como la de una nueva provincia, para que aquellos aparenten lo que no son.
Ahora vamos a recoger bien el fruto de haber dejado tanto tiempo la cosa pública en manos de mentes tan 'despejadas' como la de los Hernández Ros, Collados, María Antonias y Valcárceles. Sigamos por esa senda que nos ha ido 'tan bien'. Cambiemos luego a Saura y que siga la racha. Estamos ante un galería de pobres hombres y de una pobre mujer, incapaces de hacer pié más allá de la Venta del Olivo. Murcia no cuenta ni en Albacete, no digamos en Barcelona o Bilbao.
Con toda la serie de indocumentados y pícaros que se han alzado aquí con el santo y la limosna, todo el enorme esfuerzo colectivo hecho en la segunda mitad del siglo XX no nos servirá de nada. La Región de Murcia, forzada a afrontar un reto para la que no está preparada, lleva camino del tercer mundo, aunque permanezca en territorio de la Unión Europea, como unas Hurdes pero del siglo XXI. Cada vez que sale una estadística comparativa de progreso, quedamos muy mal parados. Siempre hacia abajo, dios mío. Y sin solución de continuidad.
Mientras, se sigue entreteniendo a las buenas gentes, y otras no tanto, con autobombos y bombos mutuos entre mediocres, proyectos faraónicos ficticios, inversiones foráneas inexistentes, un agua ajena que realmente no necesitamos al tener almacenada mucha más en el subsuelo, romerías jolgóricas, delirios de grandeza, eventos estériles para encandilar... Nadie quiere entrar ya ni de obispo de Cartagena (la Iglesia nunca abandona a sus príncipes) visto el trato denigrante dispensado al purpurado saliente. Tendrán ahora que obligar a venir a alguien a cambio de la promesa de un ascenso a medio plazo tras sufrir al fundamentalista local.
Hemos destruido del todo el modelo económico, pervertido casi toda la Universidad, corrompido a parte de nuestra juventud (tan 'católicos' y tan líderes en abortos), hemos echado a perder a nuestra propia burocracia municipal y autonómica, hemos explotado a seres humanos, como los inmigrantes, neutralizado a los sindicatos financiando sus vicios para convertirlos en sutiles esquiroles institucionales, hemos convertido a la pobre y aburrida prensa local en una caricatura preñada de tongos y con noticias que denotan la depreciación de toda una sociedad, proliferan y prosperan personajes públicos sin principios, que luego se exhiben en procesiones... todo una catástrofe porque no somos conscientes de albergar con eso una mentalidad suicida como colectivo.
El sistema, además, está cautivo de una gerontocracia, codiciosa y egoista, con demencia senil, que ya no funciona. Somos incapaces de mirar hacia delante porque hemos dilapidado nuestro reciente pasado. Hemos convertido la vida diaria en un guiñol manejado a su antojo por un personaje siniestro (el calvo de la baraja) rodeado de un sanedrín masónico no menos precisado de asistencia médica, especializada en salud mental.
Estamos en manos de unos locos en la sombra que, para mayor tragedia, se creen unos genios de la política de altura. Y así hemos bajado de nivel y de aprecio. En cuanto a verdadera autoestima, supongo que más bien depresivos casi todos los demás al salir cada mañana de nuestra diaria resaca de tanta sinrazón y falta de la más mínima expectativa en un mundo mutante, para cuya resultante no nos hemos procurado ni la más mínima carta de navegación.
Por eso murciano puede convertirse muy pronto en sinónimo de náufrago de todo y de nada. Un desastre total.
Tontos, vivos, regantes y mangantes (Carta urgente al Presidente del Gobierno) / Francisco Poveda
Usted, y sólo usted, debe asumir la principal responsabilidad del Estado para acabar con la sensación de excepción democrática que aquí anida tras quedar neutralizada y desactivada la democracia murciana real. Porque lo que aquí se da es una vergonzosa usurpación de la soberanía popular y una clara perversión del mandato de las urnas.Vender el mal es fácil.
Valcárcel es el tipo humano que aparenta gobernarnos, y no quiero entrar en otras consideraciones antropológicas, etnológicas y psicológicas, que, tal vez, le ilustrarían con todo tipo de matices sobre y ante qué clase de gente nos encontramos usted y yo, que me especialicé en periodismo político y económico aunque nunca pensé que acabaría como cronista de sucesos de cuello blanco, y lacras sociales por la generalizada postura de genuflexión y mansedumbre en que se encuentran mis conciudadanos más complacientes, indignos, cobardes, simples o tontos ante una gerontocracia a la soviética en la sombra.
Como dice el filósofo conservador José Antonio Marina en su ensayo "Teoría y práctica de la estupidez", hay sociedades inteligentes y sociedades que son todo lo contrario. Por algo ya se sabe, y comienza a calar entre los murcianos más despiertos, eso de... "con Valcárcel, ni una gota de más vendrá" por voluntad del Estado, al saberlo en manos de especuladores de todo tipo y condición, incluidos los aguatenientes.Una colectiva vanidad provinciana a ciertos niveles ha llegado hasta el punto de alumbrar un remedo local, hace ya una década coincidiendo con la entronización "popular", de la publicación de origen franquista, "Hola", para reflejar las "actividades" de una más que consumista, grotesca, irrelevante, ignorante, marginal y sin perfil, aparente y decadente porción social de bombos mutuos, que causa hilaridad por patética y degradada al no atisbar ya un horizonte vital equilibrado.
Ahora se quiere trasplantar esa cutrez a una televisión regional pública, bien financiada por todos los murcianos, pero manejada por gentes de muy dudosa catadura moral por cercanas a ciertas mafias. ¿Qué ha visto el tal Buruaga para renunciar a un fichaje multimillonario o el poco dudoso Urdaci para no recogerle el testigo y el contrato? Volviendo a Marina, "el mal gobierno puede despeñar a una sociedad por el abismo de la estupidez..." aunque la reactivación de cierto factor social autóctono haga atisbar la posibilidad de una pronta salida razonable propiciada desde abajo, y un camino sereno ante tanto estropicio de escogidas gentes sin escrúpulos y al servicio de capitales irresponsables por opacos.
El núcleo del Partido Popular murciano, aparte de ser una estructura hueca y sin esencia, pura agencia de presunto tráfico de influencias y colocación de ineptos manejables, casi sin excepciones, tiene ahora cautivo a ese público residual tras despeñar también, de hecho, a su líder natural histórico, el brillante abogado del Estado, el conservador demócrata Juan Ramón Calero, por no plegarse en su día a los viejos intereses económicos caciquiles en estas tierras, de familias con tan poca fama de demócratas como las de Fraga, Trillo y Maestre, ni sucumbir a las exigencias antidemocráticas de ciertos caciques locales disfrazados, y es el menos democrático y el más extremista de toda la organización nacional, como se puede deducir fácilmente de su anterior larga bronca con la Comisión Europea, y su continuada y demagógica postura ante el derogado trasvase del Ebro, a falta de otros resultados que ofrecer tras diez años de nula gestión regional.
¿Por qué no se hizo esa obra, entre 1996 a 2004, si el PP gozaba de mayoría absoluta en España, Comunidad Valenciana y Región de Murcia? Sencillamente porque Europa no la cofinanciaba por inviable.La última convocatoria de una manifestación de regantes en Murcia para reclamar que se mantenga la Ley del Trasvase Tajo-Segura en sus actuales términos (anhelo legítimo de miles de pequeños agricultores muy bien engatusados por Aznar ante la falta aquí de derechos sobre los caudales contemplados en el aprovechamiento conjunto, al contrario que Portugal, y que han soportado en el pasado año hidrológico la peor sequía de toda su vida, muchos de ellos víctimas, además, de aguatenientes especuladores sin escrúpulos ante, aún hoy, la pasividad cómplice de la Confederación Hidrográfica del Segura), escondía la verdadera motivación de quienes políticamente la idearon, planificaron, diseñaron, animaron y manipularon "a priori" desde detrás de la cortina con los métodos más conocidos y gastados del anterior régimen autoritario de juntar masa humana con total desprecio a la dignidad de la persona movilizada con presiones o engañifas...y un bocadillo con botellín. ¡ Qué cerca están de Ceaucescu !
¿Tienen capacidad volitiva los enfermos cerebrales de "Asprodes" llevados a Murcia en autobuses desde Lorca para hacer bulto? ¿Asistieron de "motu propio" los inmigrantes liberados de faena, que trabajan en campos y conserveras, y que trufaron de exotismo pagado una manifestación en la que se echaba en falta a la verdadera sociedad civil de Murcia, Cartagena, Yecla o Caravaca? La derecha político-económica murciana es una gente que da miedo al verla tan a la desesperada utilizando sin pudor cualquier mimbre. Muy contra las cuerdas tiene que estar para sacar de sus casas, precisamente a los sectores sociales de la Región menos favorecidos con sus políticas, algunos en la más lacerante pobreza absoluta y precariedad sin visos de evolución. Una obligación moral pendiente del Gobierno socialista, es dar a conocer la auditoria de concesiones de riego con aguas públicas en la Cuenca del Segura para saber qué se está haciendo con el agua que se clama escasa, como argumento para exigir más trasvases.
Quienes, pese a secar ríos como el Mula y no cerrar pozos de sequía, aquí agitan y radicalizan a las masas, menos ilustradas y vulnerables, para lanzarlas como un misil contra dirigentes de un Gobierno central legítimo, jugando con su ignorancia y el sentimiento de preocupación por su supervivencia, no son otros que viejos jerarcas, o sus familiares-herederos, en los estertores de la Dictadura por estas tierras. Enemigos claros de la democracia, enquistados todavía en resortes de poder fáctico y/o económico en espera de mejores tiempos para imponer sus ideas, regresivas, ante la aparente abulia y falta de determinación política de quienes pueden resolver esta situación, simplemente inspirando a la Fiscalía General del Estado para que nombre un nuevo fiscal-jefe, en condiciones de afrontar impunidades que claman al Cielo, para nuestro aún degradado TSJ.
No están por la libre competencia ni a favor de la Unión Europea porque dificulta y/o impide sus pretensiones de mantener posiciones de dominio económico y social sin la legitimación directa de las urnas. Y muy mal tienen que estar las cosas para recurrir a los mismos métodos de Franco en la plaza de Oriente, tras los innecesarios fusilamientos de 1975.La Transición española, señor Zapatero, tiene su principal asignatura pendiente en la Región de Murcia, sojuzgada a estas alturas de la Historia y del siglo XXI por una partida emboscada de fascistas residuales, casi gagás, susceptibles de desalojar para que se constate, de una vez por todas, la normalidad democrática plena que tanto echan en falta las nuevas generaciones de murcianos más informados y la propia diputada autonómica socialista y exdirigente de UGT, Begoña García Retegui, asombrada de las situaciones que se dan a diario en una región gobernada por una derecha políticamente descerebrada y sin el nivel mínimo exigible para los asuntos públicos.
Llámela a Moncloa y que confirme, matice o desmienta todo lo aquí le estoy comentando. Los colectivos partidarios, desde una emergente sociedad civil, de una ecodemocracia regional, bajo la organización y lema-paraguas de "Murcia no se vende", tienen bastante deslegitimada la muy condicionada e irreversible política sectaria de San Esteban por devastadora con el territorio y depredadora del medio físico, así como aniquiladora aquí del propio sistema capitalista a largo plazo. Por eso se huele ya la urgencia de un cambio de rumbo y de pases a la reserva.
Pero no le echemos toda la culpa a Valcárcel y la pandilla de comparsas incompetentes que le han venido rodeando en sus tres legislaturas por indicación de quienes mueven los hilos tras el escenario visible. Son esos franquistas irreformables y nostálgicos, que no se resignan a perder el poder por el bien de la democracia murciana y un desarrollo socioeconómico sostenible en beneficio de todos, quienes se mofan con befa del sistema, poniendo al frente de la Región de Murcia a banales personajes con un pasado profesional y personal que los define de sobra para entender mejor lo que pretenden los dueños de este siniestro guiñol citrícola y pimentonero vestido de negro, y que vienen manejando a su antojo y placer sin que todas las alarmas del sistema se disparen a un tiempo, ahora que el reguero de su intransigencia amenaza con inflamar provincias colindantes y regiones mediterráneas vecinas con el problema objetivo del desequilibrio hídrico.
No obstante, algunos regantes eran conscientes de estar mezclados con mangantes que les quitan el agua y, además, no consentían pancartas con los lemas "Agua para todos pero no para todo" y "Agua para la agricultura y no para las urbanizaciones", que resumen globalmente el fondo de una cuestión sobre la que se trata de confundir con ruido, desinformación y contrainformación bien medida, para reducirla a que otros nos niegan un agua que aquí se necesita. No es casualidad que significativos terratenientes de la costa, sin derecho a caudales del Tajo-Segura, destacasen en esa manifestación ahora que sus producciones no pueden competir con las de Marruecos. ¿Para que piden, pues, ellos más agua?
Sencillamente para convertir sus fincas en urbanizaciones y campos de golf tras dar un "pelotazo" con recalificaciones automáticas de suelo rústico a urbanizable, que les procuran los ayuntamientos de Águilas y Mazarrón (casualmente ambos en manos del PP). Las expulsiones de concejales socialistas pringados con intereses ajenos a los de su electorado, es el único camino para que el murciano no pierda también su confianza en la izquierda gobernante en el Estado y le confíe el voto. O la honestidad y consecuencia de la concejal centrista de Alhama ante el riesgo de desnaturalización de su municipio en estricto beneficio del bolsillo de uno de sus hijos más preclaros y entregados a la tarea de impedir una democracia ecológica local en favor de una "nueva geografía".
Como muy lúcidamente nos ha ilustrado el más que brillante economista español, José Manuel Naredo, la degeneración del sistema capitalista es una potente máquina de deterioro del patrimonio natural común, y de ahí la ausencia de datos sobre la ocupación real del suelo desde un sistema de valores, absolutamente monetarios. Los mal llamados "agentes económicos" tratan de favorecer su beneficio particular forzando sus ingresos a base de explotar bienes teóricamente libres o de terceros más débiles, pero siempre a costa de ese deterioro público que, irremisiblemente, conducirá a un crisis ambiental por un metabolismo sociourbanizador dislocado y su correspondiente valoración especulativa.‘Hipótesis, ¿descabellada?
Un exhaustivo estudio del Departamento de Sociología de la Universidad de Alicante acaba de arrojar el dato de que solamente un 0,5% de los turistas extranjeros encuestados, tendría como motivación para comprar una casa en nuestra costa la existencia de un campo de golf en la urbanización en la que estuviese ubicada o sus proximidades. Está más que claro que la sobreoferta inmobiliaria, que no repara en ocupar irracionalmente el suelo de la Región de Murcia y la Comunidad Valenciana, nada tiene que ver con una demanda específica, claramente insuficiente, y que su potencialidad sólo está en el argumentario falso de ciertos políticos para justificar tanta especulación sin aparente sentido.
Una poco descabellada hipótesis circula en algunos gabinetes suizos de inversión al respecto: aquí se estaría alimentando una expectativa urbanística desproporcionada para enmascarar un blanqueo a gran escala de capitales opacos con origen en paraísos fiscales. Una vez construidas las casas por promotoras, al frente de las cuales figuran claros "hombres de paja", la mayoría unos batos revestidos de un teórico y fulgurante éxito económico en el caso de Murcia, se solicitarían créditos a la banca, mediante su pignoración o el aval de una garantía hipotecaria, al objeto de transformar un dinero sucio en otro limpio a través del perverso mecanismo de dejar que se ejecute el contrato financiero por premeditado impago decidido de antemano. El tiempo dirá quien se queda con la prenda y a qué precio.
